O presidente da APB, Felipe da Silva Furghestti, deixou a direção da Associação dos Padelistas Brasileiros de forma repentina na última terça-feira (11), encerrando sua gestão em meio a divergências internas e desafios na consolidação do calendário 2026 do Brasil Padel Tour.
Em carta encaminhada à diretoria, o dirigente atribuiu a decisão a discordâncias relacionadas à aplicação do Regulamento APB/BPT 2026 e a um acordo que, segundo ele, previa a não realização de etapas do circuito em concomitância com competições internacionais realizadas no país. Nos bastidores, entretanto, atletas questionam a formalização e os termos desse entendimento.
Segundo apurado pelo Super Padel, a divergência sobre a realização de uma possível etapa em data próxima a um evento internacional teria sido apenas mais um elemento dentro de um desgaste que vinha se acumulando nas últimas semanas.
Descontentamento com o calendário
Com divulgação tardia, o calendário 2026 do BPT foi apresentado há poucos dias, em meio a questionamentos de atletas e nas redes sociais sobre a demora na sua publicação. A programação inclui etapas ainda “a confirmar”, indicando que o planejamento da temporada segue em processo de consolidação.
Nos bastidores, membros e jogadores vinham manifestando preocupação com a falta de previsibilidade do circuito e defendendo maior diálogo na definição das etapas. A ampliação do número de torneios, especialmente no início do ano, era vista por parte dos jogadores como prioridade estratégica para fortalecer o circuito e o calendário nacional.
No entanto, após o encerramento da pré-temporada dos atletas profissionais, a expectativa para os primeiros torneios foi frustrada pelas etapas anunciadas na agenda: a temporada começa com dois torneios Challenger, enquanto o primeiro evento de maior porte está previsto apenas para o final de abril. E mais, a primeira etapa Open que aparece como confirmada no calendário está prevista somente para agosto.
Diante do cenário de insatisfação, atletas se mobilizaram para defender a inclusão de uma etapa Open no calendário do início da temporada. A iniciativa, no entanto, aprofundou divergências internas na diretoria e acabou se tornando o ponto de ruptura em um momento já marcado por cobranças e aparente necessidade de reorganização administrativa.
Quem assume a APB
Segundo informações obtidas pelo Super Padel, o vice-presidente Lucas Cunha não deve assumir a presidência da entidade. O dirigente anunciou recentemente sua aposentadoria do circuito profissional e está afastado das atividades competitivas e do circuito, o que torna improvável sua permanência à frente da gestão da APB/BPT.
Caso a saída também se confirme, o Estatuto da entidade prevê que o Conselho Deliberativo assuma interinamente a condução administrativa até a convocação de novas eleições, mas até o momento não há uma posição oficial sobre os próximos passos da associação.
Maycon Henschel, da redação.
