O Premier Padel divulgou na última quinta-feira o calendário oficial da temporada 2026. Serão 28 etapas ao redor do mundo, distribuídas por América, Europa, África, Oriente Médio e Ásia. O Brasil, novamente, não está entre elas.
A ausência frustra um movimento que vinha ganhando força dentro do país. Nos últimos meses, empresários brasileiros, entidades e até poder público se mobilizaram para viabilizar a primeira etapa de Premier em território nacional. Balneário Camboriú esteve muito próxima dessa conquista, com propostas formais, reuniões avançadas e pré-acordos com investidores locais e a Federação Catarinense de Padel. Ao que tudo indica, outras cidades brasileiras também demonstraram interesse real.
Em outras palavras: demanda e investimento não faltaram.
Nosso cenário
O relatório mundial publicado pela Federação Internacional de Pádel mostra que o Brasil segue entre os mercados mais relevantes do continente, com presença consolidada e papel estratégico na expansão do esporte nas Américas. O país faz parte do bloco sul-americano que concentra 19 por cento de todos os jogadores de pádel do planeta e está entre as nações com crescimento contínuo de praticantes e clubes.
Enquanto isso, o continente americano recebe etapas em 2026 na Argentina, no México e nos Estados Unidos. O Chile, que ficou de fora do calendário, já anunciou que avança em negociações para receber etapas nos próximos quatro anos, reforçando postura ativa na relação com o circuito internacional.
A ausência brasileira, portanto, destoa do cenário interno do esporte. O Premier desembarcará em Buenos Aires, Cancún, Miami e Acapulco, ampliando presença nas Américas ao mesmo tempo em que consolida Europa e Oriente Médio como eixos principais da temporada. O ano terminará novamente em Barcelona, com o Finals.
Questionamento inevitável
Diante disso, surge a pergunta inevitável: por que um país com tamanho mercado, público, estrutura e interesse empresarial segue fora do circuito?
Aqui parece entrar o ponto central. As negociações para trazer o Premier ao Brasil dependem de intermediação institucional brasileira. Balneário Camboriú avançou o suficiente para acreditar no projeto. Outras cidades também teriam apresentado propostas aparentemente viáveis. Empresários brasileiros estiveram dispostos a investir pesado para colocar o país na rota.
O que 2026 revela é que o espaço existe e o apetite do mercado também. O pádel brasileiro já provou que tem força suficiente para receber um evento dessa dimensão. Há público, há clubes, há estrutura, há empresas prontas para participar. Se mesmo assim o país permanece ausente, a resposta passa por quem conduz, articula e representa o pádel brasileiro no contato com o circuito mundial.
O Portal Super Padel entrou em contato com a COBRAPA, entidade indicada para a intermediação institucional, para entender os motivos que mantiveram o Brasil fora do calendário. Apesar da confirmação do recebimento da solicitação e do prazo concedido, não houve manifestação até o fechamento desta matéria.
O calendário está publicado. As etapas estão definidas. E um país que cresce tanto dentro de quadra segue sem lugar em seu principal circuito.
Diante do silêncio da instituição que nos representa, a pergunta passa a ser outra: o problema está nas propostas brasileiras ou na forma como o país é representado?
Para nós que estivemos presentes em três etapas este ano, acompanhando de perto a dimensão, a energia e o espetáculo do Premier Padel, dói constatar que o público brasileiro ainda não terá acesso a esse evento em casa. Para um país do tamanho do Brasil no pádel, estar no calendário mundial não deveria ser um sonho distante. Deveria ser o próximo passo lógico.
Maycon Henschel, da redação.
