No último final de semana, tive a oportunidade de participar de uma clínica com Gervasio Del Bono, técnico da seleção portuguesa de pádel e um dos nomes mais respeitados da modalidade. O convite veio do professor Osmar Scherer, que organizou o evento na Arena By Nox Academy, e eu confesso: saí de lá com uma nova visão sobre o jogo.
Gervasio é argentino, naturalizado brasileiro, ex-campeão mundial e um treinador com mais de 30 anos de experiência. Ao longo dessa trajetória, desenvolveu sua própria metodologia de ensino: o PEX – Padel Experience. O nome não é apenas um rótulo. É de fato uma imersão no entendimento tático e técnico do pádel como ele é — ou como ele acredita que deveria ser jogado, desde o início.
A estrutura da clínica é simples e eficaz:
- Dia 1: aula teórica
- Dia 2: prática dos fundamentos
- Dia 3: situações reais de jogo, focado no conteúdo dos dias anteriores
As clínicas do PEX, abrangem temas/módulos específicos, ou seja, uma parte do que é ensinado em seu curso completo. O final de semana foi focado no posicionamento de fundo de quadra, tanto para defesa quanto para contra-ataque. Fato já bastante conhecido é que Gervasio utiliza um sistema próprio de identificação dos vidros e ferros da quadra para explicar o jogo — algo semelhante à lógica do xadrez, com números e letras. No começo parece complicado, mas rapidamente se transforma em uma ferramenta prática e objetiva para enxergar o pádel de forma mais lógica e clara.

O jogo é o mesmo
Uma das frases que mais me marcou foi a seguinte:
“O jogo que os profissionais jogam é exatamente o mesmo que os amadores jogam, desde o começo.”
A diferença está na execução, claro. Mas segundo Gervasio, o jogo em si — o raciocínio, a tomada de decisão, o posicionamento — pode (e deve) ser trabalhado desde os primeiros passos no esporte. Ou seja, não faz sentido aprender “do jeito errado” para depois tentar corrigir. Pensar certo desde o início encurta o caminho.
O conhecimento transforma
Foram três pontos-chave que mudaram minha forma de enxergar o jogo de fundo de quadra no pádel:
- Detalhes que mudam tudo:
Uma pequena mudança de posicionamento ou decisão altera completamente o resultado de um ponto. Ter alguém com a visão e experiência para apontar esses detalhes em tempo real foi essencial para consolidar o aprendizado. - Zona de transição (ou “zona viva”):
Ele não gosta do termo “zona morta”, e com razão. Jogar pádel hoje exige entender o valor estratégico da zona entre o fundo e a rede. Integrá-la ao repertório muda completamente a fluidez do jogo. - O lob com propósito:
Parece simples, mas pensar em lobs de defesa e lobs de contra-ataque como ferramentas táticas distintas me abriu novas possibilidades. É outro nível de entendimento.

Não é minha intenção aqui explicar como aplicar essas ideias — não tenho formação para isso. Mas posso dizer com segurança que esses três dias de clínica, modificaram minha perspectiva do jogo.
Além das clínicas voltadas para atletas, outro grande foco do método esta voltado para os próprios professores. Como o Gervasio diz:
“O crescimento do pádel deve ocorrer sobre uma base sólida, onde clubes e treinadores devem estar altamente capacitados e para reconhecer e desenvolver o potencial dos jogadores.”
Se queremos um pádel brasileiro forte, precisamos de professores com repertório, metodologia e visão estratégica. Clínicas e formações bem estruturadas como esta, são passos importantes nesse caminho.

Maycon Henschel, da redação.

Muito bom, Gervásio é craque 👏🏼👏🏼👏🏼