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Portal Super Padel > Capa > Documento da FIP levanta suspeita sobre movimento para tentar substituir a COBRAPA por nova entidade
CapaFIPÚltimas Notícias

Documento da FIP levanta suspeita sobre movimento para tentar substituir a COBRAPA por nova entidade

Published: outubro 8, 2026
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9 Min lido

A representação do pádel brasileiro no cenário internacional está diante de um novo ponto de tensão. Um documento oficial da Federação Internacional de Pádel (FIP), datado de 7 de outubro de 2026, inclui o Brasil na categoria “New Legal Entity” (Nova Pessoa Jurídica) entre as solicitações de filiação que serão analisadas na Assembleia Geral da entidade, marcada para 12 de outubro, em Madri, na Espanha.

A inclusão levanta suspeitas sobre uma possível tentativa de substituir a Confederação Brasileira de Pádel (COBRAPA) por uma nova entidade na representação internacional do país. A documentação divulgada, no entanto, não identifica a pessoa jurídica relacionada ao pedido, seus proponentes ou os fundamentos da solicitação.

O caso ganhou relevância diante da crise administrativa da COBRAPA, que está sob administração provisória determinada pela Justiça brasileira. Federações estaduais também questionam a falta de transparência sobre as comunicações entre a FIP e a entidade nacional e pedem esclarecimentos antes de qualquer decisão que possa afetar a representação brasileira.

Brasil aparece em lista oficial de novas pessoas jurídicas

O documento da FIP, referente ao item 6 da pauta da 36ª Assembleia Geral, apresenta uma relação de solicitações de filiação. O Brasil aparece ao lado de Equador e Tailândia sob a classificação “New Legal Entity”.

Acesso Rápido
  • Brasil aparece em lista oficial de novas pessoas jurídicas
  • Ex-presidente da COBRAPA segue no Conselho da FIP
  • Disputa administrativa da COBRAPA está sob análise judicial
  • Federações questionam comunicação com a FIP
  • O que está em jogo para o pádel brasileiro?
  • Assembleia de 12 de outubro pode esclarecer o cenário

A pauta prevê a análise de pedidos de filiação, expulsão e suspensão de membros. Como a COBRAPA já é filiada à FIP e representa historicamente o Brasil no organismo internacional, a inclusão do país nessa categoria gerou preocupação entre entidades estaduais.

Em alerta divulgado em 8 de outubro, as Federações de Padel do Paraná (FPPr), Catarinense de Padel (FCP) e Sul-Mato-Grossense de Padel (FSMP) afirmam que a situação pode envolver uma mudança na entidade reconhecida internacionalmente para representar o Brasil.

As federações citam como precedente a Turquia. Na ata da Assembleia Geral da FIP realizada em novembro de 2025, em Acapulco, no México, a entidade internacional registrou o reconhecimento de uma nova federação turca após o encerramento da filiação da organização anteriormente responsável pelo país.

O precedente demonstra que uma substituição institucional já ocorreu no âmbito da FIP. Não significa, porém, que o mesmo procedimento esteja necessariamente em curso no Brasil.

Até o momento, os documentos apresentados não esclarecem se o pedido brasileiro envolve a substituição da COBRAPA, uma reorganização jurídica ou outra modalidade de alteração institucional.

Ex-presidente da COBRAPA segue no Conselho da FIP

Eduardo Langer, ex-presidente da COBRAPA, continua listado como integrante do Conselho de Administração da FIP, representando o Brasil, conforme a página oficial da entidade consultada em 8 de outubro.

Sua permanência no órgão internacional ganha relevância diante da inclusão do Brasil na pauta de análise de uma nova pessoa jurídica. As federações estaduais de SC, PR e MS cobram esclarecimentos sobre a origem do pedido e a eventual participação de representantes brasileiros.

Até o momento, não há comprovação de que Langer tenha apresentado a solicitação ou atuado para promover uma eventual substituição da COBRAPA.

Disputa administrativa da COBRAPA está sob análise judicial

A inclusão do Brasil na pauta da FIP ocorre em meio a uma disputa sobre a administração da COBRAPA e a validade de assembleias realizadas em setembro.

O mandato da diretoria anterior terminou em 16 de setembro de 2026, sem a conclusão de um processo eleitoral para a escolha de seus sucessores. A composição do colégio eleitoral e a validade das deliberações das assembleias de 19 de setembro foram questionadas judicialmente pelas federações de Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul.

Em decisão proferida em 5 de outubro, a 14ª Vara Cível do Foro Central da Comarca de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, suspendeu a eficácia das deliberações das assembleias e o processo eleitoral delas decorrente.

Na mesma decisão, a Justiça nomeou Vagner da Silva Bernardes como administrador provisório da COBRAPA, com os poderes, limites e vedações estabelecidos judicialmente, até nova deliberação. A magistrada esclareceu que a nomeação não representa validação das assembleias questionadas nem autoriza o prosseguimento do processo eleitoral suspenso.

Segundo o alerta das federações, a administração provisória enfrenta dificuldades para obter documentos, informações e acessos institucionais necessários à continuidade da gestão. As entidades afirmam que essas limitações também dificultam a adoção de providências perante organismos internacionais.

Federações questionam comunicação com a FIP

No documento conjunto, as três federações relatam que a FIP solicitou às entidades nacionais a confirmação de participação na Assembleia Geral inicialmente até 21 de setembro, prazo posteriormente prorrogado para 25 de setembro.

Segundo as signatárias, as comunicações não foram compartilhadas com as federações estaduais, e o atual administrador provisório da COBRAPA teria tomado conhecimento da reunião por terceiros, poucos dias antes de sua realização.

As entidades também relatam dificuldades na transferência dos acessos institucionais, incluindo e-mails, sistemas e informações administrativas da Confederação. Diante desse cenário, defendem que a administração judicialmente designada tenha acesso integral à documentação relacionada ao Brasil e possa exercer seu direito de manifestação antes de qualquer deliberação que afete a filiação da COBRAPA.

O alerta informa que a Confederação, por meio de seu administrador provisório, notificou formalmente a FIP, solicitando esclarecimentos sobre o procedimento e o respeito às garantias previstas no estatuto da organização internacional. As federações também afirmam ter levado o caso à Justiça brasileira e mencionam a possibilidade de recorrer ao Tribunal Arbitral do Esporte (TAS/CAS), sediado em Lausanne, na Suíça, caso os direitos de representação da COBRAPA sejam comprometidos.

O que está em jogo para o pádel brasileiro?

Fundada em 1994, a COBRAPA integra há décadas a estrutura institucional do pádel internacional. Segundo o alerta das federações, o Brasil está entre os países com o número máximo de votos na FIP, ao lado de Argentina, Espanha, México e Uruguai.

Uma eventual mudança na entidade reconhecida internacionalmente poderá ter repercussões sobre a representação institucional brasileira, a participação das seleções nacionais em competições oficiais e o reconhecimento das estruturas esportivas do país.

Os efeitos concretos, contudo, dependerão da natureza de uma eventual decisão da FIP e das normas internacionais aplicáveis. Até o momento, não há confirmação de que a COBRAPA perderá sua filiação ou de que uma nova entidade assumirá a representação brasileira.

As federações estaduais pedem a identificação da pessoa jurídica relacionada ao pedido, o acesso à documentação apresentada e a garantia de manifestação da COBRAPA antes de qualquer decisão que possa afetar sua posição institucional. Também defendem que a análise seja adiada caso não seja possível assegurar o conhecimento integral da matéria e o exercício do direito de defesa.

Assembleia de 12 de outubro pode esclarecer o cenário

A 36ª Assembleia Geral da FIP está marcada para segunda-feira, 12 de outubro, em Madri. A reunião prevê a análise de solicitações de filiação, expulsão e suspensão, entre outros assuntos institucionais. A inclusão do Brasil na categoria “New Legal Entity” coloca o futuro da representação brasileira no centro de uma questão que ainda carece de esclarecimentos essenciais.

Quem apresentou o pedido relacionado ao Brasil? Qual pessoa jurídica está envolvida? A solicitação prevê a substituição da COBRAPA ou trata de outra questão institucional?

Essas perguntas permanecem sem resposta na documentação divulgada até 8 de outubro. O esclarecimento da FIP será determinante para dimensionar o alcance da medida e compreender suas possíveis consequências para o pádel brasileiro.


Maycon Henschel, da redação.


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Redator e fundador do Portal Super Padel, o maior portal dedicado ao pádel no Brasil. Praticante de pádel há mais de três anos, me apaixonei pelo esporte e transformei essa paixão em profissão.
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