Informações de bastidores apontam que federações algumas estaduais brasileiras teriam apresentado a iniciativa durante reunião em Madri. Possíveis mudanças na representação internacional levantam dúvidas sobre o futuro administrativo e esportivo da modalidade no Brasil.
A representação internacional do pádel brasileiro pode estar diante de uma mudança significativa. Durante a 36ª Assembleia Geral da Federação Internacional de Pádel (FIP), realizada nesta segunda-feira (12), em Madri, na Espanha, uma proposta relacionada à criação de uma nova entidade brasileira teria avançado, segundo informações obtidas pelo Super Padel.
De acordo com uma fonte com conhecimento dos bastidores da reunião, algumas federações estaduais brasileiras teriam apresentado o pedido para a criação de uma nova confederação nacional, iniciativa relacionada ao item “New Legal Entity” (Nova Pessoa Jurídica), que constava na documentação oficial da Assembleia.
Até o momento, porém, ainda é necessário esclarecer o teor exato da deliberação, quais entidades participaram formalmente da iniciativa e quais serão seus efeitos para a Confederação Brasileira de Pádel (COBRAPA). A confirmação oficial da FIP será fundamental para determinar se houve aprovação da nova entidade ou apenas autorização para dar continuidade ao processo.
COBRAPA vive disputa judicial
A movimentação internacional ocorre em meio à disputa judicial pela administração da COBRAPA e aos questionamentos sobre as assembleias realizadas em setembro.
Em 9 de outubro, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul determinou o retorno de Erilei Schumacher à administração provisória da entidade, com poderes limitados aos atos ordinários de gestão e à prestação de contas. A decisão não validou as assembleias contestadas nem autorizou a retomada do processo eleitoral.
Também será importante acompanhar a reação das federações estaduais do PR, SC e MS, que acionaram juridicamente a COBRAPA. O posicionamento dessas entidades diante da possível criação de uma nova confederação poderá ajudar a esclarecer os objetivos do movimento e os próximos passos da disputa institucional.
Preocupação com o futuro esportivo
As consequências práticas de uma eventual mudança na representação internacional do pádel brasileiro também preocupam. Questões como a validade dos rankings nacionais, os critérios para convocações de atletas para as seleções brasileiras, o reconhecimento de uma nova diretoria e a participação de jogadores em competições internacionais precisarão ser esclarecidas.
Uma transição dessa dimensão, sem regras claras e garantias de continuidade, poderá provocar grandes transtornos e até retrocessos para o desenvolvimento da modalidade no país, afetando atletas, clubes, federações e profissionais que dependem de critérios estáveis para planejar suas atividades. Por isso, será fundamental que a FIP esclareça os efeitos da deliberação e os procedimentos previstos para evitar insegurança institucional e prejuízos esportivos ao pádel brasileiro.
A análise dos grupos envolvidos na disputa pelo comando da COBRAPA levanta questionamentos sobre quem estaria por trás da solicitação e quais interesses motivaram a iniciativa. Considerando o histórico recente da confederação, uma das linhas de apuração é a possível participação de integrantes do mesmo grupo político que já esteve à frente da entidade nos últimos anos. Até o momento, porém, não há confirmação documental que permita atribuir formalmente o pedido a esse grupo.
Até que os termos da decisão sejam confirmados oficialmente, não é possível afirmar que a COBRAPA perdeu sua filiação internacional ou que uma nova confederação já assumiu a representação do Brasil.
Maycon Henschel, da redação.
